domingo, 19 de maio de 2013

Transformação Borboleta
Debato-me neste casulo escuro.
Tento rompê-lo à força,
Mas a única que me resta é a da amargura,
E esta não é capaz.
Sinto sombras me devorando.
Escuridão me abominando.
Não sei se choro ou arranco os olhos
para não ver o que há ao meu redor.
Coração bate em ritmo sangrento.
Pensamento se corroe violento.
Tudo junto numa valsa rumo à morte.
E nem posso mais contar com minha sorte.
Ressentimentos aos poucos me devorando,
E me deixando todo oco por dentro.
Sinto o corpo fervendo.
Minha pele queimando e ardendo.
Lágrimas em sangue se dissolvendo.
O ódio e a angústia se aproveitam
e instalam-se em meu peito,
Combatendo qualquer luz que me faça voar.
Espero me libertar logo deste casulo.
Ganhar asas como as de uma borboleta.
Para assim sobrevoar jardins pacíficos,
E procurar nas flores,
O que não achei em olhos humanos.
Mas ainda me vejo entre paredes pretas.
Onde o poder de transformação é o medo.
Eu ouço!Posso ver!Posso sentir.
Minhas pernas estão pesando.
Meu peito se comprimindo.
Meus braços estremecendo.
Posso até sentir asas saírem de minhas costas,
Mas não me sinto leve nem puro,
Sinto-me sujo!
Nunca vi olhos tão vermelhos,
Tanto ódio ao relento,
Um olhar tão violento.
Há algo de errado!
Meu Deus!Com certeza não foi em uma borboleta que eu me transformei.

sexta-feira, 12 de abril de 2013


 Só quero o impossível,
 nada mais.

Rodeado de sonhos e preces,
Pensando no mundo que posso ter.
Ilusões que me mantém
e afastam dos tormentos da realidade.
Criamos amores e expectativas,
Desejos e pensamentos,
Para tudo acabar num estouro de lagrimas,
Diante da despedida de pessoas, coisas e um mar  inteiro que nos leva à frente.

 Perdemos quem amamos,
Vivemos dores que nos arrancam de nosso
chão, e nos fazem “ver que não somos nada”,
Apenas mais um qualquer tentando mudar o mundo.

 Resumimo-nos a um grão de areia.
Pensamos que tudo que fazemos e vivemos é em vão,
E que algum dia ou brevemente,
Um pedaço de nós vai embora.
Vamos nos despedaçando ao longo de tempos,
Deixando partes pelo caminho e,
Ao chegar ao fim nos restam apenas sonhos,
Aqueles sem fundamento e realidade,
Que trazem tristeza e nos fazem derreter na ilusão perdida.

Óh vida, será que tu não mudaras?
Não tirarás o sofrimento deste pobre do mundo?
Não vai chegar um dia em que viveremos eternamente com quem amamos?
Minhas lagrimas não te atormentam e te fazem ter pena destes seres?
Peço-lhe apenas a paz,
Sem “se” nem “até”.
Não quero viver neste lugar doloroso,
Onde a alegria e felicidade
São chamadas de ilusão,
E não passam de um pequeno simples detalhe.

Atenda-me!
 Acuda-me! Ouça minhas preces!
Eu só quero ser feliz...

ETERNAMENTE.

 

 
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

 Aquelas horas de tristeza fazem parte da vida, mas num certo ponto pode virar doença. Muitos são atingidos por esse mal e a vida  perde a cor e a graça. Poemas demonstram vários sentimentos, bons ou não, como acontece na vida.


Deprimente olhar

Não sei o que fazer.
Se choro, fecho os olhos,
Me escondo embaixo dos lençóis
sem ver a vida correr.

Meu coração diz "insista".
Minha mente contradiz.
Não sei se deito e espero acontecer,
Ou vou à luta sem chances de vencer.
 

Minha alma não corresponde meus comandos.
Como alguém que ressuscita e logo morre,
Não guio os caminhos em que ando,
Os lugares que minha vida percorre.

 
As portas que vejo à minha frente estão trancadas.
Esperança? Já não sei se em mim reside.
Minhas forças de vencer são maltratadas,
Meu futuro em me chamar não se decide.

Minhas pernas já não me aguentam mais.
Meus braços já não querem levantar.
Meu olhar entristece quem está perto,
Minha vida já não sei se vou levar.
 

Talvez eu ande sempre triste em longos círculos.
Ou é o caminho,
Rumo à felicidade.
Paro ou corro, ando ou morro,
Recomeço.
Sou refém de minha própria ansiedade.


sábado, 19 de janeiro de 2013


Este é o texto da   olimpíada de língua portuguesa   que prometi postar.Demorou um pouco mas aqui está.


Ventos da lembrança, mares da memória...


    lembro-me do barulho da chaleira avisando que o café estava na mesa, do abraço de minha mãe nas noites de trovoada, das palavras de carinho ditas com o olhar.
Sinto saudades de acordar com o canto do galo,que parecia fazer uma serenata para mim.As borboletas que pousavam em minha janela, e o cheirinho de pão caseiro vindo da cozinha.
Havia dias em que o frio despertava a vontade de ficar mais um pouquinho embaixo das cobertas, a chuva caía lá fora e cachoeiras em gotas se formavam no telhado, impedindo eu e meus irmãos de brincarmos na rua. Uns com seus carrinhos, bola, e eu com minhas bonecas, lindas princesas e secretas confidentes.
    Não era sempre em que eu permanecia em casa. Mesmo com trovões e frio, eu saia escondida e corria pela rua alagada, deitava em poças que pareciam pequenos lagos de água cristalina. Em poucos minutos, a menina bem vestida e sequinha, virava uma criança toda suja e molhada, com alegria no rosto e lama nos pés.
    Também houve vezes em que eu ia passear em lugares cheios de árvores e inventar coisas que são possíveis para uma criança. Eu pulava, me pendurava, voava nas asas de um coqueiro  e me balançava nos braços das mangueiras.
    Nos dias ensolarados, eu chamava minhas irmãs, e íamos à Praia dos Sonhos, onde a água ondula em silêncio, a maresia corre numa brisa calma e os sonhos fluem em contato com a natureza. O hábito não desfazia nossos olhares de criança ao ver aquela imensa piscina de águas salgadas. Tínhamos vontade de contar os grãos de areia, esgotar as conchas existentes e fazer várias coisar que o pensar de uma criança pode querer. Assim aprendi a nadar, pulando e me banhando nas águas caiçaras.

    Já com poucas energias, eu deitava nas pedras grandes e sentia o sopro do mar em meu rosto. Apreciava as gaivotas, que mais pareciam estrelas á luz do dia. Fechava os olhos, abria a mente e pensava com um imenso sorriso no rosto: "Isso tudo sempre vai ser meu!"
    Depois de um cansativo dia, chegávamos em casa e eu ficava hipnotizada com o cheiro de comida inesquecível e inigualável que minha mãe fazia, coisas que hoje tenho apenas na vaga lembrança, nas lágrimas de saudade ao relembrar.Coisas simples, mas quando faltam fazem muita diferença.
    Após o jantar nós nos reuníamos para assistir televisão. Eu abraçava a mamãe e ficava com um sentimento de paz, afinal, ela era a pessoa que eu mais amava nessa vida.Era uma pessoa boa, a mais sábia e era imortal.Sábia aos meus olhos, boa para todos e imortal em minha mente.
    Nos dias atuais, o prazer de correr pela praia foi substituído por brinquedos eletrônicos.As árvores de minha infância foram derrubadas pelo grito de impiedade do bicho homem.Estes só existem no brilho de meus olhos ao recordar o passado.
    Tudo isso se passou em Itanhaém,um lugar bom e calmo para morar, que se localiza no litoral de São Paulo.A cidade mudou, mas não perdeu sua graça.Em cada canto há uma emoção. E as lembranças? Ah! Estas estão guardadas a sete chaves, presentes em minha vida e marcadas em meu coração.
 
                      (Texto baseado na entrevista feita com Rosemeire Alexandre Trindade, de 35 anos)